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O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, defendeu hoje em Maputo que África deve procurar a sua independência económica e que é hora de o continente parar de “enriquecer os outros”.

“Achamos que é hora de cortamos este cordão umbilical da dependência permanente de África em relação aos países desenvolvidos”, declarou Teodoro Obiang, em espanhol, durante a cerimónia em que recebeu a chave da capital moçambicana no salão nobre da cidade de Maputo.

Considerando que o continente vive uma “condição injusta”, Teodoro Obiang referiu que África é pobre porque “enriquece os outros [países] mais poderosos” e esta dificuldade só poderá ser ultrapassada com maior união entre as nações africanas.

“Teremos de voltar às raízes para manter relações múltiplas entre as nossas nações”, declarou o chefe de Estado da Guiné Equatorial, observando que esta é a única forma de os países africanos resolverem as dificuldades que atravessam.

A construção de “uma África unida, solidária e forte” para Teodoro Obiang passa pela mudança da mentalidade sobre as estratégias de desenvolvimento dos países africanos, que, segundo o chefe de Estado, só poderão surtir efeito se pensadas conjuntamente.

“Esta é a razão que nos trouxe a Moçambique: construir uma África grande, na qual todos devemos dar satisfação aos nossos povos”, conclui Teodoro Obiang.

A cerimónia de atribuição da chave da cidade foi dirigida pelo edil de Maputo, David Simango, e contou com a presença de várias personalidades, entre elas a governadora da Cidade de Maputo, Iolanda Cintura.

A visita de Teodoro Obiang termina na sexta-feira.

Durante a sua estada em Maputo, Moçambique e Guiné Equatorial assinaram três acordos de cooperação política e económica, com destaque para a troca de experiências na área petrolífera, um setor em que a Guiné tem muita experiência e em que Moçambique começa a mostrar potencial.

A imagem da Guiné Equatorial tem sido marcada pelas várias críticas ao regime de Obiang: corrupção, violação dos direitos humanos e perseguição política figuram dos relatórios de várias organizações internacionais – que acusam o Presidente e a família de controlarem a riqueza do país.

Razões que levaram também a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição em Moçambique, e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido, a boicotar a receção, hoje, pela Assembleia da República, ao Presidente da Guiné Equatorial.

Ainda durante a visita, o Presidente da República, Filipe Nyusi, convidou o homólogo da Guiné Equatorial a estabelecer uma representação diplomática em Moçambique.

Fonte: Lusa

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