Antigos chefes de Estado moçambicanos otimistas com passos para a paz definitiva

Antigos chefes de Estado moçambicanos otimistas com passos para a paz definitiva

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Antigos chefes de Estado moçambicanos defendem o envolvimento de todos para a manutenção da paz no país, congratulando o atual Presidente, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, pelos passos em prol de um entendimento definitivo.

“Temos todos de trabalhar para a paz. O desafio é trabalharmos com as consciências”, afirmou Joaquim Chissano, o segundo chefe de Estado de Moçambique.

Joaquim Chissano falava à margem das celebrações do 25.º aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz, que pôs fim a guerra civil de 16 anos entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde a independência, e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal força de oposição.

Para Chissano, além da vontade, a manutenção da paz exige a adoção de uma cultura de paz por parte da sociedade moçambicana, um processo que deve começar no “coração de todos os moçambicanos”.

“Se o moçambicano estiver em paz consigo mesmo, quem vai dar arma ao outro para matar”, questionou o antigo Presidente, que congratula o Governo e a Renamo pelos passos que estão a dar para o alcance de uma paz permanente.

“Vinte e cinco anos de paz é pouco tempo. Queremos mais e para isso temos que nos concentrar”, acrescentou o antigo chefe de Estado moçambicano.

Também Armando Guebuza, antecessor de Filipe Nyusi, manifestou-se otimista quanto ao curso do diálogo, mas lembrou que “ainda falta”.

“Temos de ter a paz efetiva. Essa ainda falta”, observou o antigo chefe de Estado, considerando que a ida de Filipe Nyusi ao centro de Moçambique para falar com o líder da oposição foi boa.

“A atitude do Presidente da República foi obviamente boa”, frisou Armando Guebuza, lembrando que os problemas que o país atravessa só podem ser resolvidos num clima de paz e os passos que estão a ser dados são motivadores.

O 25.º aniversário do Acordo Geral de Paz é celebrado num momento em que Moçambique assiste desde maio a uma trégua por tempo indeterminado, na sequência de contactos entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

Paralelamente à trégua em vigor, o Governo e a Renamo estão em negociações em torno da descentralização do Estado, despartidarização das FDS e desarmamento do braço militar do principal partido da oposição.

Entre 2015 e dezembro do ano passado, o país voltou a ser palco de confrontos na sequência da recusa do principal partido da oposição em aceitar a derrota nas eleições gerais de 2014.

A vaga de violência incluiu ataques a alvos civis que o Governo atribuiu à Renamo e assassínios políticos de membros do principal partido da oposição e da Frelimo. Lusa

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