CRÓNICAS DE BAIXA BOANE 5 – O COASTER TRANCADO

CRÓNICAS DE BAIXA BOANE 5 – O COASTER TRANCADO

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Era mais um dia de trabalho, desta vez o trajeto era Boane(Km 16) – a Baixa. O frio cumprimentava-nos a todos pela manha, depois de bem assentados para uns e bem de pés para outros, partimos. Levávamos a esperança do não congestionamento, e obviamente do não ”atrasamento”. Ainda em Thandavanto, vi a primeira e ultima saída regular do autocarro. Mas até ai não nos fazia mais calor ou mais frio. Ate que uma voz afirmou: Paragem cobrador… E na hora de descer: Bolas!! a portinhola insiste em não abrir, o tesoureiro do autocarro(cobrador), deu uma luta valente a aquela porta, posicionou se verticalmente, horizontalmente, diagonalmente e droga, a porta teimou em não abrir. O motorista encheu se de confiança e foi lá: Guinchou a portinhola, empurrou a, não tendo conseguido mais do que cansar os seus músculos ósseos. Os espectadores estupefactos ai questionaram –se:

– Hita Muka hi Kwini Cobrador? Pfula xifalo faz favor? Os mais serenos apenas gargalhavam. E teve mesmo a menina que ser upada e sair pela janela. Após concordarem entre si, esta dupla, (motorista e cobrador) parou a certo lugar do percurso, a fim de resolverem a questão de vez. Mais uma vez,lutaram com a porta, moveram montanhas em vão, a porta abriu se apenas em seus desejos. E a viagem tornou-se inédita, o Coaster estava Trancado, abarrotado de gente, e ninguém podia sair dele pela porta.

– Desço aqui cobrador. Era só efetuar uma abertura, esticar o pé ate a janela, quase no rosto de outro passageiro e pam! pular ao chão. O “descimento” mais incrível, foi duma mamana, já de certa idade, está como tal não possuía essa habilidade de “Jampar” como se diz na gíria popular. Esta teve que ser carregada… Primeiro o tesoureiro do autocarro teve de pular afora e a seguir, carregaram-na 3 senão 4 machos voluntários por dentro. Ela desabituada só exclamava:Mina nada, Ningue Hume lano…nada pfula Xifalo. Os senhores que a iam trasnportar, convenceram na a sair dali mesmo.

-Yuwi, yuwi, a mova lueio nada juro.
– Hehehehe(coaster todo em risos). Ela foi recebida pelo cobrador que a segurou, apartir das pernas, cintura, ate ela se por de pé. Ainda depois recebeu uma palavra de encorajamento.
– Mamane, shi helile, Famba quatse.

E assim foi o rumo daquele Coaster, em que Pais e Mães tiveram de pular a janela, para chegar a suas paragens/postos de trabalho, ainda que pela primeira vez.

Escrito por: António Magaia

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